Eficácia da vacina quadrivalente anti-HPV em homens jovens de Florianópolis

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Nota de esclarecimento

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DESINFORMAÇÃO SOBRE A VACINA CONTRA O HPV

 

Com o inicio da Campanha de Vacinação contra o HPV para meninas de 11 a 13 anos nas escolas e postos de saúde do Brasil, vários comentários, entrevistas e artigos em jornais, revistas, rádio e televisão tem sido veiculados com informações incorretas e desatualizadas sobre o assunto. Penso nos possíveis danos e repercussões negativas que estas informações podem causar a já precária saúde do Brasil nesta área de prevenção. Fico me perguntando sobre o grau  e profundidade de conhecimento destes colegas médicos na prática e na teoria sobre como se prevenir sobre as doenças relacionadas ao HPV, principalmente o câncer do colo do útero para conseguirem passar informações tão desencontradas que podem influenciar mães a deixar de prevenir o câncer e outras mazelas causadas pelo HPV em suas filhas.

A Saúde Pública no Brasil já é um caos, cujos problemas observamos diariamente nos telejornais, jornais e revistas e conceitos errôneos como estes falados ou publicados podem trazer mais um prejuízo à saúde da nossa população. Este é um momento histórico para nosso país que apresenta altas taxas de câncer de colo de útero que em algumas regiões como norte e nordeste, estes números são semelhantes aos países mais pobres do mundo. São registrados anualmente cerca de 18.000 casos novos deste câncer (terceiro tipo na mulher), levando ao óbito cerca de 8.000 mulheres ao ano. Provavelmente estes números são maiores, em função da subnotificação em nosso meio. Sem falar na própria infecção pelo HPV que acomete 700.000 brasileiros ao ano, que pode causar doenças benignas como as verrugas genitais (condilomas acuminados) ou pré-malignas e malignas, como o câncer de colo de útero, vulva, vagina, ânus, pênis e orofaringe. O grande desafio da medicina é substituir o diagnóstico e tratamento das doenças pela prevenção das mesmas. Ao contrário dos países desenvolvidos, o Brasil gasta 70% do orçamento da saúde para o diagnóstico e tratamento das doenças e apenas 30% na prevenção. Isso precisa ser mudado e a Campanha Nacional de Vacinação contra o HPV, que se inicia é um começo.

Vou fazer minhas considerações em cima de informações equivocadas que tenho lido e ouvido. Meus argumentos são baseados em estudos clínicos nacionais e internacionais, bem desenhados, avaliados e aprovados por Comitês de Ética e pareceres de Organizações de Saúde independentes das indústrias farmacêuticas, que podem ser lidos nas bibliografias apresentadas. Vamos aos pontos de interesse:

1º)O HPV só causa o câncer de colo de útero?

Não. Há 2 grupos de HPV, os de alto risco oncogênico (associados aos cânceres) e os de baixo risco (associados às verrugas, principalmente genital e de orofaringe). A infecção pelos HPV de alto risco está associada não somente ao câncer de colo de útero, mas também aos da região genital externa feminina (vulva e vagina), ânus, pênis e orofaringe, principalmente. Os HPV de baixo risco, associados com os condilomas anogenitais e a papilomatose de laringe.

2º) A vacina contra o HPV é muito nova, temos poucos estudos sobre ela!

Para que uma medicação (vacina, por exemplo) seja aprovada para comercialização e utilizada pela população, vários estudos (Fase I, II e III) foram realizados, à fim de avaliar segurança, toxicidade, dose, eventos adversos e eficácia. Especificamente a vacina contra o HPV já tem aproximadamente 20 anos de estudo, metade deles avaliando a eficácia e segurança em homens e mulheres. Até o momento, várias organizações tem se pronunciado e confirmado que ambas as vacinas comercializadas no mundo (Bivalente contra os HPV 16 e 18 e Quadrivalente contra os HPV 6, 11, 16 e 18) são extremamente seguras e eficazes (Drug Saf 2013;36:393-412). Em 12 de dezembro de 2013 o GACVS (Global Advisory Commitee on Vaccine Safety) se reuniu em Genebra para revisar as informações atualizadas sobre a segurança das vacinas contra o HPV e concluíram que ambas as vacinas são altamente seguras, baseados em cerca de 175 milhões de doses destas vacinas aplicadas no mundo (http://www.who.int/vaccine_safety/committee/topics/hpv/en/index.html).

3º) Há vários relatos relacionando a vacina contra o HPV com doenças importantes nas mulheres!

Os vários relatos no mundo associando a vacina contra o HPV a doenças como Síndrome de Guillain-Barré, uveite, falência ovariana precoce, esclerose múltipla, tromboembolismo venoso foram avaliados criteriosamente e após afastado fatores de risco confundidores, como por exemplo o uso de contraceptivos orais, tabagismo e outros, concluíram não haver relação causal, apenas temporal (coincidência), entre o uso das vacinas contra o HPV e estas doenças, estando elas no percentual de aparecimento esperado para a população geral (J Intern Med 2012;271(2):193-203; Drug Saf 2013;36:393-412). No Brasil, já foram realizadas mais de 680 mil doses da vacina quadrivalente anti-HPV, na rede privada ou pública, uma vez que várias cidades brasileiras e o Distrito Federal já implementaram a vacinação pública contra o HPV. São mais de 12 cidades no Brasil que já apresentam programas de vacinação publica contra o HPV desde 2010. Em nenhum destes locais foi observado algum evento adverso grave, exceto reação alérgica a algum componente da vacina, como é possível para qualquer outra medicação.

No último Congresso Internacional que se discutiu todos os assuntos relacionados ao HPV (EUROGIN, Florença/Itália, 3 a 6 de novembro de 2013), a Comunidade Científica internacional discutiu exaustivamente todos os aspectos da vacina contra o HPV e foram unânimes em dizer que ambas as vacinas comercializadas no mundo contra o HPV são altamente eficazes e seguras e representam um grande avanço na prevenção do câncer associado a este vírus e que os governos, principalmente dos países que não apresentam uma forma de rastreamento, diagnóstico e tratamento organizados, como é o Brasil, deveriam implementar a vacinação contra o HPV (www.eurogin.com/2013).

4º)Já temos uma estratégia efetiva na prevenção do câncer de colo uterino que é o Exame de Papanicolaou, não há necessidade da vacina!

Primeiro: O exame de Papanicolaou é um exame complementar e como tal, tem suas falhas. Nos melhores laboratórios do Brasil e do mundo, estima-se que este exame tenha um percentual de resultados falso-negativos (exame normal, mas existe lesão/doença) em torno de 20-30%. Temos laboratórios em capitais do Brasil (não é interior, é capital) que este percentual chega a 50%. Parece brincadeira, mas não é. Para diminuir este risco é que se recomenda repetir o exame em 1 ano e mesmo assim, ainda teremos um resultado falso-negativo em torno de 6%. Com certeza é uma exame que traz benefícios importantes para as mulheres, mas precisa ser realizado periodicamente e por “todas” as mulheres.

Segundo: Apesar de todos saberem da importância deste exame no controle do câncer do colo de útero, com diversas campanhas e esclarecimentos, a cobertura no Brasil é extremamente baixa. O Brasil é um país continental, apresentando inúmeras dificuldades para realização do exame Papanicolaou em função das diferenças sócio-economicas. A mortalidade por este câncer não teve alteração nenhuma nos últimos 30 anos no Brasil, apesar de terem sido realizados não menos que 9 diferentes Programas ou Campanhas de estímulo à realização do exame Preventivo. Vejamos um exemplo: em 2010, o número de exames preventivos realizados pelo SUS no Brasil, na faixa etária de maior risco dos 25-64 anos foi de 16,4% (basta cruzar os dados do Censo 2010 do IBGE com os dados de Papanicolaou do SISCOLO do Ministério da Saúde). Somados a um número igual ou ainda menor de mulheres que realizam este exame pelos convênios ou particular, certamente este percentual não chega a 50%.

Terceiro: Caso todas as mulheres na faixa etária de maior risco desejassem fazer o exame de Papaniolaou no Brasil, não teríamos laboratórios e infraestrutura suficientes para realizar a leitura dos exames, referenciar os exames alterados para um serviço especializado, realizar o tratamento e o acompanhamento destas mulheres.

Quarto: A média de tempo para o aparecimento do câncer de colo de útero à partir da infecção HPV é longa (em torno de 10-15 anos), no entanto esta evolução pode ser muito mais rápida em algumas mulheres, dependendo exclusivamente do sistema imune destas mulheres. No Brasil e no mundo, cerca de 1% dos cânceres de colo de útero são em mulheres com menos de 25 anos de idade (1% de 18.000, representa 180 casos/ano para o Brasil).

Quinto: O exame de Papanicolaou faz o diagnóstico de lesão pré-cancerosa do colo de útero, ou seja, quando já existe uma doença associada ao HPV. O percentual de diagnostico da infecção, sem lesão, pelo Papanicolaou é muito baixo, cerca de 20%. Após o diagnóstico pelo exame, estas mulheres devem ser acompanhadas ou tratadas, dependendo do tipo de lesão para que a prevenção do câncer aconteça. A vacina previne o problema muito mais cedo, pois previne a infecção pelo HPV, que é o causador do câncer.

Sexto: As vacinas contra o HPV (bivalente ou quadrivalente) contém os tipos 16 e 18, que são responsáveis pela maioria (70%) dos casos de câncer do colo de útero. Como ainda temos os outros 30% associados a outros tipos de HPV é que se recomenda a manutenção da realização do exame de Papanicolaou nas mulheres vacinadas.

5º)O preservativo não é suficiente para prevenir a infecção pelo HPV?

Não. O HPV é transmitido principalmente, mas não exclusivamente, pela relação sexual. Outras formas de contagio também são possíveis como pelas mãos, roupas, objetos e fômites contaminados. Mesmo dando uma alta proteção, infelizmente o preservativo não consegue prevenir em 100% a transmissão. O preservativo protege em torno de 60% a contaminação da mulher (Sex Transm Dis 2002:29(11)725-35; N Engl J Med 2006;354(25):3645-54), uma vez que a transmissão deste vírus se faz pelo contato com pele ou mucosas contaminadas, nem sempre protegidas pelo preservativo (base do pênis, escroto, pube, etc).

6º)A vacina protege contra todos os tipos de HPV?

Não. Existem mais de 200 tipos diferentes de HPV, destes, 45 infectam a área anogenital masculina e feminina, sendo que em torno de 13 podem causar o câncer. Destes 13, os HPV 16 e 18 (contidos nas vacinas contra o HPV) são responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo de útero e a maioria dos outros tipos de câncer associados ao HPV. A eficácia das vacinas é de 98-100% (Lancet 2007;369:1861-8; Lancet 2007;369:1693-702; MMWR 2010;59(20):626-9). A vacina quadrivalente (que será utilizada pelo Ministério da Saúde do Brasil) ainda contém os HPV 6 e 11 que são responsáveis por mais de 90% dos casos de verrugas genitais (condilomas acuminados) e quase a totalidade dos casos de papilomatose laringéia recorrente. Ambas, muitas vezes de difícil tratamento com muitas consultas, tratamentos caros e dolorosos que interferem na qualidade de vida e autoestima destes pacientes.

7º)A vacina só deve ser indicada para as mulheres que ainda não iniciaram a atividade sexual!

Há um grande equívoco quando se fala que a vacina só foi testada em mulheres sem atividade sexual. Este é um dos estudos (Pediatrics 2006;118:2135-45) para avaliar a resposta imune em crianças e adolescentes, que por sinal mostrou excelente resposta. Os principais estudos de eficácia da vacina quadrivalente foram realizados em mulheres adultas de 16 a 26 anos, sexualmente ativas (N Engl J Med 2007;356(19):1915-27; N Engl J Med 2007;356(19):1928-43). A chance de adquirir o HPV para quem já iniciou a atividade sexual é de cerca de 25% no primeiro ano, chegando a 60% ao longo de 4 anos (Brit J Obstet Gynecol 202;109:96-8), sendo que a média de mulheres infectadas no Brasil é de 20-25% (Rev Bras Pat Trato Gen Inf 2011;1(1):3-8).

É claro que a vacina é eficaz para as mulheres que já iniciaram a atividade sexual, pois elas podem não estar infectadas. Mesmo que estivessem, ou ainda, mesmo que a mulher já tivesse uma lesão pre-cancerosa associada ao HPV, utilizando a vacina reduzimos em 70% a chance de recidiva desta lesão, comparando com as mulheres que são tratadas e não recebem a vacina (Gynecol Oncol 2013;130:264-8).

8º)Não existe resultados de diminuição da mortalidade pelo câncer de colo de útero utilizando a vacina contra o HPV!

Obviamente não podemos ainda discutir a redução da mortalidade utilizando a vacina anti-HPV, mesmo porque nos estudos clínicos, quando detectado uma lesão pre-cancerosa grave, a paciente era submetida à tratamento, pois não é ético apenas acompanhar para ver se há ou não evolução para o câncer invasor. A redução da mortalidade será observada no mundo real, anos após a vacinação ter sido implementada. Recentemente foram publicados resultados na redução de lesões associadas ao HPV na Austrália. Vacinando meninas e mulheres de 12 a 26 anos, a Austrália conseguiu reduzir em 3 anos 47,5% das lesões pré-cancerosas graves do colo de útero (Lancet 2011;377;2085-92) e em 93% as verrugas genitais em 5 anos (BMJ 2013;346:f2032). O resultado foi tão surpreendente que em 2013 o governo já começou vacinar os meninos também.

9º)Há controvérsias em relação à segurança das vacinas contra o HPV!

Não há controvérsias! Ela realmente é segura. Tanto nos estudos clínicos como nas avaliações pós-comercialização, as vacinas bivalente e quadrivalente se mostraram altamente seguras em todas as idades utilizadas. Dois estudos publicados com a experiência brasileira confirmam o excelente perfil de segurança desta vacina no Brasil (Plos One 2013;8(4):e602647; Trials in Vaccinology 2013;2:19-24). Como discutimos no começo, os eventos sérios relatados ao longo destes anos são os mesmos esperados para a população geral, sem associação de causa e efeito com as vacinas contra o HPV. Vamos ver alguns casos específicos frequentemente comentados pelas pessoas que dizem que as vacinas não são seguras e foram suspensas em alguns países:

Na França foi um caso isolado de esclerose múltipla que foi bastante divulgado na imprensa pelo fato de ter havido processo contra a indústria farmacêutica. No encontro do GACVS de 12 de dezembro de 2013, a pauta maior de discussão foi o uso da vacina contra o HPV e o aparecimento de doenças auto-imunes como Sindrome de Guillain-Barré e Esclerose Múltipla. A conclusão deste encontro foi que não há evidência de causa e efeito entre estas doenças (cujos diagnósticos também foram considerados muitas vezes duvidosos) e a utilização da vacina contra o HPV  (http://www.who.int/vaccine_safety/committee/topics/hpv/en/index.html).

O Japão já realizou mais de 8 milhões de doses da vacina anti-HPV. Houveram 5 relatos de casos de Síndrome Dolorosa Complexa Regional após a utilização da vacina. Esta é uma doença que surge em um membro, geralmente após um trauma (acidentes, cirurgias, medicações injetáveis, entre outros). O Programa Nacional de vacinação contra o HPV foi parcialmente suspenso em junho de 2013, mas o governo continua a fornecer a vacina para quem desejar nas unidades de saúde. Como o Japão estava enfrentando uma série de problemas com outras vacinas (caxumba, pneumocócica, rotavírus, hepatite B ainda não presentes no calendário de vacinas) e uma epidemia de rubéola e síndrome da rubéola congênita em 2013, a suspensão da campanha da vacina contra o HPV parece ter sido mais para organizar o calendário vacinal japonês do que uma medida específica contra a vacina do HPV (Lancet 2013;382:768). A revisão dos casos por um Comitê Consultivo de especialistas não determinou relação causal com a vacinação e em muitos casos, não foi possível fazer o diagnóstico definitivo desta doença. (http://www.who.int/vaccine_safety/committee/topics/hpv/en/index.html).

10º) Vale a pena substituir a estratégia da prevenção do câncer do colo de útero com o Exame de Papanicolaou pela vacina?

Com certeza vale a pena. A vacinação contra o HPV só vai ser implementada no Brasil porque um detalhado estudo de custo-eficácia demonstrou que é muito mais econômico prevenir a doença associada ao HPV, tanto para as lesões benignas (verrugas genitais) como para os cânceres (Vaccine 2007;25:6257-70; Novaes HMD et al 2012: http://portal2.saude.gov.br/rebrats/visao/estudo/detEstudo.cfm?codigo=81&evento=67v=true). Vejam que o ganho pode ser ainda maior do que o calculado, pois como citamos anteriormente, o HPV também está associado a outras doenças extra-genitais que provavelmente serão prevenidas também com a vacina.

Já são 57 países com a vacina contra o HPV no Programa Nacional de Imunizações. Países desenvolvidos, cujo câncer de colo de útero já está controlado por Programas de Rastreamento com Papanicolaou bem organizados e que implementaram, mesmo assim, a vacina quadrivalente contra o HPV após avaliar que ainda é custo-beneficio prevenir esta doença.

Finalmente o Brasil abriu os olhos para a prevenção implementando este Programa de Vacinação contra o HPV que será realizado nas escolas públicas e privadas e centros de saúde a partir de março deste ano. Caso tenhamos uma ótima cobertura, resultados semelhantes aos de outros países poderão ser vistos nos próximos anos também no Brasil.

Não basta a educação sexual para evitar a contaminação pelo HPV. Como já vimos, a transmissão pode acontecer por outras formas. Em um estudo no ano passado, 45,5% das adolescentes já apresentavam o HPV antes do inicio da atividade sexual com penetração vaginal (J Infect Dis 2013;207(6):1012-5). Mesmo as mulheres que fazem periodicamente o exame de Papanicolaou não estão livres de apresentar uma lesão pre-cancerosa entre um exame e outro. O tratamento destas lesões não é totalmente inócuo, pois pode alterar as características do colo de útero, interferindo no futuro reprodutivo destas mulheres. O exame de Papanicolaou também não irá impedir que as mulheres tenham verrugas genitais, cujo tratamento muitas vezes é prolongado, doloroso e com repercussões psicológicas importantes.

O “gigante acordou”, pelo menos para algumas coisas….uma delas é a visão, que em termos de infecção HPV, é muito melhor prevenir do que esperar e tratar! Parabéns Programa Nacional de Imunização!! Este é um grande passo para a prevenção do câncer de colo de útero e outras doenças associadas ao HPV em nosso meio!

 

Dr. Edison Natal Fedrizzi

Professor Associado de Ginecologia e Obstetrícia da UFSC

Doutor em Ciências pela EPM/UNIFESP

Membro Efetivo da International Papillomavirus Society

Chefe do Centro de Pesquisa Clínica Projeto HPV

VACINA NONAVALENTE CONTRA O HPV É APROVADA NOS EUA

A Food and Drug Administration (FDA*) aprovou no dia 10 de dezembro de 2014 nos EUA, a vacina Gardasil 9 (Human Papilomavírus 9-valente Vaccine, recombinante) para a prevenção de doenças causadas por nove tipos de Papilomavírus Humano (HPV). A vacina foi aprovada para uso de mulheres com idade entre 9 e 26 anos, e homens com idades entre 9 e 15.

Além das vacinas já existentes e previamente aprovadas pela FDA, a vacina nonavalente fornece uma proteção mais ampla na prevenção das infecções cervicais, vulvar, vaginal e câncer anal causadas por HPV tipos 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58, e para a prevenção de verrugas genitais provocadas pelos tipos de HPV 6 ou 11, resultando em um potencial de 90% de prevenção.

“A vacinação é uma medida de saúde pública importante para reduzir o risco de infecção cervical, genital e câncer anal causadas por HPV”, disse Karen Midthun, MD, diretora do Centro da FDA para Avaliação e Pesquisa Biológica.”

Um estudo clínico randomizado, controlado, realizado nos EUA e internacionalmente em cerca de 14.000 mulheres em idades de 16 e 26 anos com resultados negativos para os tipos de HPV da vacina, recebendo os participantes no início do estudo Gardasil ou Gardasil 9.

A Gardasil 9 determinou 97% de eficácia na prevenção de câncer de colo do útero, da vulva e cânceres vaginais causados pelos cinco tipos adicionais de HPV (31, 33, 45, 52, e 58). Além disso, o Gardasil 9 é tão eficaz como Gardasil (quadrivalente) para a prevenção de doenças causadas pelos quatro tipos de HPV compartilhados (6, 11, 16 e 18) com base em respostas de anticorpos semelhantes em participantes de estudos clínicos.

Devido à baixa incidência de câncer anal causada pelo HPV após os cinco tipos de vírus adicionais, a prevenção do câncer anal é baseado no demonstrado de Gardasil eficácia de 78% por cento e dados adicionais sobre anticorpos em homens e mulheres que receberam Gardasil 9.

A eficácia de Gardasil 9 em  mulheres e homens com idades entre 9 a 15 foi determinado em estudos que medem as respostas de anticorpos para a vacina em cerca de 1.200 homens e 2.800 mulheres nesta faixa etária. As respostas de anticorpo foram semelhantes aos de mulheres com 16 até 26 anos de idade. Com base nestes resultados, a vacina deverá ter semelhante eficácia quando utilizado neste grupo etário mais jovem.

A Gardasil 9 é administrada em três doses separadas, dose inicial, segunda dose seguindo dois meses e terceira dose seguindo seis meses. A indicação para a utilização aprovada pela FDA da Gardasil 9 é que todo seu potencial de ação para benefício é obtido por aqueles que são vacinados antes de serem infectadas com as estirpes de HPV abrangidos pela vacina.

A segurança de Gardasil 9 foi avaliada em cerca de 13.000 homens e mulheres. As reações adversas mais frequentemente relatadas foram no local da injeção dor, inchaço, vermelhidão e dores de cabeça.

Gardasil 9 é fabricado pela Merck Sharp & Dohme Corp., uma subsidiária da Merck & Co., Inc., com sede em Whitehouse Station, New Jersey.

*A FDA, agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, protege a saúde pública, garantindo a segurança, eficácia e segurança do ser humano e medicamentos veterinários, vacinas e outros biológica produtos para uso humano, e dispositivos médicos. A agência também é responsável para a segurança do abastecimento de alimentos da nação, cosméticos, dietética suplementos, produtos que emitem radiação eletrônica, e para regular produtos do tabaco.

3º Prêmio FAPEU de divulgação Científica

No dia 25 de junho de 2014 foi divulgado o resultado do “3º Prêmio FAPEU de divulgação Científica”. O nosso Centro de Pesquisa Clínica foi novamente contemplado com o 1º lugar, com o artigo “Prevenção da infecção pelo HPV e do câncer genital: o papel da vacina multivalente”,  escrito pela acadêmica de medicina e nossa estagiária Ariel Córdova Rosa, sob orientação do Professor Dr. Edison Natal Fedrizzi.  O artigo fala um pouco da nossa última pesquisa da vacina multivalente, pesquisa que se encontra em fase de finalização, em breve o artigo será divulgado pela revista FAPEU. O Centro de Pesquisa Clínica Projeto HPV sente-de honrado pelo reconhecimento do nosso trabalho.

Parabéns Ariel!

Dr. Edison Fedrizzi, a acadêmica Ariel Córdova Rosa com a Pró-Reitora Adjunta de Pesquisa Heliete Nunes

Dr. Edison Fedrizzi e a acadêmica Ariel Córdova Rosa com os representantes do Banco Itaú, patrocinador.

Os vencedores do 3º Prêmio Fapeu de Divulgação Científica com os representantes do Banco Itaú

2º Prêmio FAPEU de Divulgação Científica

No dia 10 de maio de 2013 aconteceu no auditório da FAPEU, a  cerimônia de premiação do “2º Prêmio FAPEU de Divulgação Científica”. O objetivo é estimular, divulgar e prestigiar trabalhos desenvolvidos por estudantes de graduação da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC que tenham como tema projetos e/ou grupos de pesquisa apoiados pela FAPEU. Entre mais de  centenas trabalhos inscritos, Marina Lino Veira, acadêmica de medicina e estagiária do nosso Centro de Pesquisa Clínica, sob orientação do Professor Dr. Edison Natal Fedrizzi, foi contemplada com a primeira colocação com o artigo “Pesquisa de eficácia da vacina quadrivalente anti-HPV em homens jovens de Florianópolis/SC”.

 

Os vencedores:

1º lugar: Marina Lino Vieira – Curso de Medicina – orientador – Edison Natal Fedrizzi

Pesquisa de eficácia da vacina quadrivalente anti-HPV em homens jovens de Florianópolis/SC

2º lugar: Bruna Scandolara Magnus – Curso de Engenharia Sanitária e Ambiental – orientador – Paulo Belli Filho

Um olhar nos pântanos ingleses: em busca de fontes alternativas de energia

3º lugar: Daniel Theiss Ristow – Curso Design – orientador – Eugenio Andres Díaz Merino

A gestão estratégica do design de embalagens aplicada à maricultura

Menção Honrosa:  Cláudia Bernardo – Curso  Ciência e Tecnologia de Alimentos – orientadora- Edna Regina Amante

Lâminas de batata-doce (Ipomoea batatas) – A Ciência e Tecnologia de Alimentos transformando a matéria prima

 

Vencedores do 2º Prêmio FAPEU, à direita Marina Lino Vieira e Francine Barreto

 

 

Adolescentes das Américas e a vacina Contra o HPV

Com sua introdução no Brasil, pouco mais de 80% das adolescentes das Américas terão acesso à vacina contra o HPV, que protege contra dois tipos do vírus papilomavírus humano, causador de 70% dos casos de câncer de colo do útero, segunda causa de morte por câncer entre as mulheres da América Latina e do Caribe. “A medida terá um grande impacto na saúde das meninas de hoje e das mulheres do futuro, prevenindo a infecção pelo HPV e reduzindo a mortalidade pelo câncer do colo do útero”, disse o Diretor Adjunto da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Jon Andrus. “Toda a evidência disponível confirma que a vacina é segura e efetiva”, acrescentou.
Em sua última reunião, em 12 de março, o Comitê Consultivo Mundial sobre Segurança das Vacinas (cuja sigla em inglês é GACVS), responsável por prestar assessoramento independente, fidedigno e científico à OMS, assegurou novamente sua confiança no perfil de segurança das vacinas contra o HPV.
Por sua vez, o Grupo de Especialistas em Assessoramento Estratégico sobre Imunização (SAGE) da OMS recomendou a vacina para países nos quais a prevenção do câncer do colo do útero seja uma prioridade de saúde pública, e nos quais sua administração seja custo-efetiva e sustentável. Estas posições são endossadas pelo Grupo Técnico Assessor em Doenças Preveníveis por Vacinação da OPAS.
Desde o lançamento da vacina contra o HPV, em 2006, mais de 170 milhões de doses foram aplicadas no mundo, e diversos estudos, que monitoraram durante anos centenas de milhares de pessoas vacinadas na Austrália, Europa e América do Norte, excluíram a ocorrência de eventos adversos graves ou permanentes.
O impacto na redução do HPV também foi alentador. Nos Estados Unidos, foram reduzidas à metade as infecções pelos tipos do HPV sobre os quais atua a vacina. Dados da Austrália e Dinamarca também demonstram redução de lesões pré-cancerosas no colo do útero entre as pessoas vacinadas.
Nas Américas vinte países, que representam em conjunto pouco mais de 80% das adolescentes da região, entre eles a Argentina, Canadá, Colômbia, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e agora o Brasil, aplicam a vacina contra o HPV por meio de seus programas públicos de imunização.
A vacina disponível atualmente previne contra dois tipos de papilomavírus humano (o 16 e o 18) que, juntos, causam 70% dos casos de câncer do colo do útero. O vírus é transmitido por contato sexual e causa lesões que podem evoluir para tumores no colo do útero. Para que a vacinação seja eficaz, deve ser aplicada antes do início da vida sexual.

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Pronunciamento do Ministro da Saúde sobre a vacina contra o HPV

De acordo com o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) vai começar a oferecer a vacina quadrivalente contra o papiloma vírus humano (HPV) a partir de 10 de março para meninas de 11 a 13 anos, em postos de saúde e em escolas públicas e privadas de todo o país.
A imunização deve ocorrer a longo prazo em forma de três doses: a segunda aplicação deve ser feita 6 meses após a primeira vacina e a terceira 5 anos depois. A meta é vacinar, no mínimo, 80% do grupo alvo, o que equivale a aproximadamente 4,16 milhões de meninas. Segundo o ministro da saúde, Alexandre Padilha, esse grupo foi estrategicamente escolhido porque nessa faixa etária a produção de anticorpos contra o HPV tem maior eficácia e também porque, geralmente, nessa idade, essas meninas ainda não tiveram início na atividade sexual, garantindo proteção para quando elas tornem-se ativas.
No entanto, vale ressaltar que o uso da camisinha ainda é imprescindível, apesar de a vacina possuir uma eficácia de 98,8% contra o câncer de colo de útero. Para receber a vacina é necessário levar a caderneta de vacinação e o cartão do SUS, além de preencher um formulário. Este pode ser preenchido antecipadamente para adiantar o processo.

MS anuncia incorporação da vacina contra HPV no calendário nacional

O Ministério da Saúde anunciou a incorporação da vacina contra HPV no calendário nacional a partir de 2014 para meninas de 10 e 11 anos. O imunizante estará disponível em escolas e unidades básicas e Saúde e deverão ser tomadas três doses . A medida vinha sendo estudada há mais de um ano. A produção ficará a cargo de uma Parceria Público-Privada entre o laboratório MerckSharp&Dohme e o Instituto Butantan . A vacina é usada para reduzir o risco de casos de câncer de colo de útero.

A infecção pelo HPV é comum e, na maioria dos casos, regride espontaneamente. No entanto, em um pequeno número de casos a infecção se mantém, aumentando o risco do surgimento de lesões. Quando não tratadas, elas podem levar ao câncer decolo de útero, de vagina e boca, por exemplo.

A meta do Ministério da Saúde é vacinar 80% do público-alvo. De acordo com os dados do MS, o total de meninas de 10 e 11 anos no País é  3,351 milhões. O investimento previsto para o primeiro ano é de R$ 360,7 milhões para a aplicação das cerca de 12 milhões de doses. Em 2015, só serão vacinadas as meninas de 10 anos, num total de 6 milhões de doses.

Treze tipos de HPV trazem maior risco de provocar lesões. São considerados de alto risco para câncer os de número 16 e 18. Estatísticas mostram que eles estão presentes em 70% dos casos de câncer de colo de útero. Já os HPV 6 e 11, encontrados em 90% dos condilomas genitais e papilomas laríngeos, são não oncogênicos.

A vacina a ser usada no Programa Nacional de Imunizações é quadrivalente, que oferece proteção contra os subtipos 6, 11, 16 e 18 do HPV.

Fonte: INCA

Campanha de vacinação contra o HPV em escolas de Farroupilha

O município de Farroupilha – RS, com a assessoria do Centro de Pesquisa Clínica Projeto HPV, iniciou a campanha de vacinação contra o HPV nas escolas. A vacina será aplicada em meninos e meninas de 12 e 13 anos, entre os meses de maio a novembro de 2013.
O município investiu R$ 1,5 milhão na campanha, segundo a prefeitura. As equipes de vacinação passarão por 31 escolas da rede pública e privada.

Vídeo da Campanha: